Se você tem um Shiba Inu em casa, é bem provável que já tenha se feito essa pergunta, e talvez até esteja lidando com marcas de dentes nos móveis, rodapés, chinelos destruídos ou braços arranhados.
A boa notícia é que, na maioria das vezes, morder não significa que o seu Shiba seja agressivo ou que tenha um problema comportamental grave, já que o uso da boca é uma ferramenta natural de comunicação e exploração de cães, principalmente nas fases de desenvolvimento.
Treinando Shibas desde 2016, separei aqui os 10 principais motivos que levam os Shibas a usarem tanto os dente, para te ajudar a entender o que está acontecendo aí na sua casa:
1. Eles exploram o mundo com a boca
Diferente de nós, que usamos as mãos para tocar e sentir, os cães usam o nariz e a boca. Desde muito pequenos, os filhotes experimentam texturas, temperaturas e formatos mastigando. É um comportamento completamente esperado para a espécie e faz parte do aprendizado normal.
2. É a forma como brincavam com os irmãos
Na ninhada, os filhotes passam horas lutando e mordendo uns aos outros. É assim que aprendem sobre força e interação social. Quando chegam na nossa casa, é natural que tentem reproduzir essa mesma brincadeira com as nossas mãos, pés e roupas.
3. A famosa troca de dentes
Entre os 3 e 6 meses de idade, acontece a transição dos dentes de leite para os permanentes. A gengiva coça, fica sensível e inflama. Para aliviar o desconforto, o Shiba busca superfícies para mastigar, e é aqui que o pé da mesa e as cadeiras costumam virar alvo.
4. A busca por texturas específicas
Cada cão tem uma preferência. Alguns gostam de morder coisas mais duras (como madeira ou controle remoto), enquanto outros preferem coisas macias, elásticas ou fibrosas (como almofadas, meias ou tapetes). Se a casa não oferece opções adequadas para a necessidade dele, ele mesmo vai procurar e escolher a dele.
5. Adolescência e explosão de energia
Conforme o Shiba Inu cresce, ele passa por intensas transformações físicas e hormonais. É a fase da adolescência: a curiosidade aumenta, a persistência fica maior e ele começa a testar os limites do ambiente e a usar a boca com mais frequência.
6. Aprendizados “sem querer” no dia a dia
Muitas vezes, a família reforça a mordida sem perceber. Se o filhote morde a sua mão e você se movimenta, puxa o braço, fala com ele (mesmo que seja um “não!”) ou ri, para o cão isso pode funcionar como uma interação que fuciona, e o que funciona tende a se repetir!
7. Recompensas encontradas na própria casa
O ambiente ensina sozinho. O chinelo que se despedaça em vários pedacinhos, a almofada que rasga e solta espuma ou o rodapé que solta uma lasca oferecem uma sensação prazerosa imediata para seu SHiba Inu. Sempre que o objeto em si entrega uma “recompensa”, a chance de ele voltar ali aumenta.
8. A genética da raça
O Shiba Inu foi selecionado historicamente como um cão de caça de pequeno porte, resultando em uma raça extremamente curiosa, atenta aos detalhes, independente e persistente. Usar a boca para interagir com o ambiente faz parte do “pacote” natural dessas características.
9. Uma válvula de escape para o estresse
A mastigação tem um papel importante na autorregulação emocional. Após momentos de muita agitação, visitas em casa, mudanças na rotina ou situações que geraram ansiedade, mastigar ajuda a desacelerar e relaxar. Nesses casos, a mordida funciona como uma ferramenta para descarregar tensão acumulada.
10. Cada Shiba é um indivíduo único
Apesar dessas causas gerais, não existe receita de bolo. A idade, a rotina, o ambiente onde mora e as oportunidades de aprendizado que ele recebe no dia a dia mudam totalmente o cenário. Por isso, dois Shibas da mesma idade podem ter comportamentos completamente diferentes com a boca.
Antes de tentar “fazer o Shiba parar de morder” a qualquer custo, o caminho mais eficiente e respeitoso é entender o motivo por trás da mordida.
Todo comportamento tem uma causa. Quando a gente descobre o que o cão está precisando ou tentando expressar, fica muito mais fácil direcionar a energia dele para as coisas certas e construir uma convivência tranquila.

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